às vezes eu só quero descansar
desacreditar no espelho
ver o sol se pôr vermelho
você chega e eu tenho sono, mas me preparo pra sair, porque você mal sabe que eu vou te esperar na rodoviária (você chega e eu tenho sono, mas preparo a cama e o café; o resto tá todo pronto, você vai tomar café comigo, e eu gosto de te ver na minha porta, sorrindo; você é linda). tudo já estava pronto no dia anterior (eu já ajeitei tudo o que precisava ser ajeitado, é só assar os pães de queijo e fazer o café), eu pulo pelo colchão na sala e tento não acordar ninguém, e vou pra rodoviária te encontrar (eu troco de roupa e tento acalmar meu coração, mas já é diferente; ele palpita de vontade de te ver, e não exatamente de nervosismo). eu te espero com o coração batendo forte porque, apesar de gostar de fazer surpresas, ele não se acostuma ao fato de encontrar você ("eu já tô aqui embaixo", você diz, e eu não consigo não sorrir; você sempre foi, você sempre vai ser você demais). você aparece e eu espero você se virar pra não assustar demais; você se assusta mesmo assim. eu dou risada, eu espero você voltar do banheiro e seguro a sua mão e pergunto como você tá, como foi a viagem, e meu coração tá na garganta e essa sensação nunca foi tão gostosa.
a gente vai numa padaria perto de onde vamos ficar, pra tomar café e jogar o meu jogo de eliminar a humanidade (a gente toma café e come pão de queijo, e não existe mais ninguém no mundo além de nós duas e o kim); eu te engano e pago a conta (com razão), você fica um pouco brava (também com razão, mas digamos que menos razão do que eu). já dá pra subir, e encontramos a eliane (finalmente assistimos o episódio que guardamos pra ver juntas, eu te levo pro quarto um bocadinho e surge a dúvida de se vamos conseguir sair da minha casa hoje), que é uma graça; ela sai, eu tranco a porta, você me encosta na parede e me beija (estar com você é muito bom, e eu preciso me esforçar pra convencer tanto a você quanto a mim de que temos que ir; não encontramos ninguém, mas a chave está na portaria, e subimos mesmo assim). o lugar é uma graça (o lugar é adorável), deixamos nossas coisas no quarto e resolvemos nos deitar um pouco, ao som de rádios ruins e vozes da mpb que você me conta, entre beijos, que nem gosta tanto assim (deixamos nossas coisas na sala e no quarto, você é uma gracinha e a vista é bonita; eu te levo pro quarto e me deito do seu lado, o mundo é bom e você do meu lado não é só o que eu posso querer, mas é, definitivamente, tudo o que eu quero). nós fazemos compras, eu corto o seu cabelo — leonardo dicaprio não te agrada tanto assim, mas ficamos nisso mesmo —, demoramos demais a sair, mas não tem problema. nando e ana e paulo e the umbrella academia e você me dando sobremesa na boca e eu nunca fui tão feliz, eu penso, e eu sou tão feliz e é real, porque você é real (eu acaricio seu cabelo e ele cresceu tanto e você é tão bonita e eu subo os dedos por entre os fios do seu cabelo e é tão bom sentir que eu te conheço; não por inteiro, nunca por inteiro, mas o suficiente. nunca por inteiro, porque sempre tem algo novo. o suficiente, porque você sorri, e é só disso o que eu preciso).
a gente vai numa padaria perto de onde vamos ficar, pra tomar café e jogar o meu jogo de eliminar a humanidade (a gente toma café e come pão de queijo, e não existe mais ninguém no mundo além de nós duas e o kim); eu te engano e pago a conta (com razão), você fica um pouco brava (também com razão, mas digamos que menos razão do que eu). já dá pra subir, e encontramos a eliane (finalmente assistimos o episódio que guardamos pra ver juntas, eu te levo pro quarto um bocadinho e surge a dúvida de se vamos conseguir sair da minha casa hoje), que é uma graça; ela sai, eu tranco a porta, você me encosta na parede e me beija (estar com você é muito bom, e eu preciso me esforçar pra convencer tanto a você quanto a mim de que temos que ir; não encontramos ninguém, mas a chave está na portaria, e subimos mesmo assim). o lugar é uma graça (o lugar é adorável), deixamos nossas coisas no quarto e resolvemos nos deitar um pouco, ao som de rádios ruins e vozes da mpb que você me conta, entre beijos, que nem gosta tanto assim (deixamos nossas coisas na sala e no quarto, você é uma gracinha e a vista é bonita; eu te levo pro quarto e me deito do seu lado, o mundo é bom e você do meu lado não é só o que eu posso querer, mas é, definitivamente, tudo o que eu quero). nós fazemos compras, eu corto o seu cabelo — leonardo dicaprio não te agrada tanto assim, mas ficamos nisso mesmo —, demoramos demais a sair, mas não tem problema. nando e ana e paulo e the umbrella academia e você me dando sobremesa na boca e eu nunca fui tão feliz, eu penso, e eu sou tão feliz e é real, porque você é real (eu acaricio seu cabelo e ele cresceu tanto e você é tão bonita e eu subo os dedos por entre os fios do seu cabelo e é tão bom sentir que eu te conheço; não por inteiro, nunca por inteiro, mas o suficiente. nunca por inteiro, porque sempre tem algo novo. o suficiente, porque você sorri, e é só disso o que eu preciso).
acho graça
que isso sempre foi assim
mas você me chama pro mundo
e me faz sair do fundo de onde eu tô
de novo
não é a primeira vez que eu durmo do seu lado, mas é melhor (eu descubro que é sempre melhor dormir do seu lado, todas as vezes em que isso acontece). nunca deixa de ser gostoso acordar e, antes de tudo, me dar conta de que você tá ali, do meu lado; sorrir, e beijar suas costas. sorrir, e te cobrir de novo. sorrir, e pensar que você é linda, e beijar suas costas mais uma vez, e outra (é como se eu nunca tivesse dormido longe de você: sua pele é perfeita, sua forma é perfeita, seu cabelo é perfeito, tudo em você é perfeito enquanto eu sorrio e beijo suas costas e te abraço enquanto você ainda dorme. tudo em você é perfeito — talvez não pra você, talvez nem mesmo por mundo, mas tudo em você sempre é perfeito pra mim). você acorda, me dá bom dia, e cochila mais um pouco (você acorda, e eu sempre sei que você cochila mais um pouco, eu rio baixinho e você sorri e não há ninguém mais sortudo no mundo que eu); seu rosto pela manhã é tão bonito, sabia? (o bonito de amar tanto alguém é poder ver essa pessoa com tanta ternura que você enxerga tudo o que dá pra enxergar; cada dobra, cada ruga, cada detalhe que faz dela, ela mesma)
eu me levanto e escovo os dentes, você se levanta depois e escova, também. "você nem gosta de rosa", você me contesta, e eu rio, porque gosto sim, não é minha culpa que eu goste tanto de preto, também. ficar na cama com você é bom, apesar da minha garganta estranha e da tosse que aparece de vez em quando (eu escovo os dentes, e você escova os dentes, e nós já sabemos que é difícil sair da cama e sair uma do lado da outra; cada vez se distancia um, dois meses da vez anterior, mas parece que a gente teve todo esse tempo pra se acostumar a estar perto, enquanto estava longe. estar com você é, pouco a pouco, como estar comigo mesma, e o pensamento me faz sorrir, e eu beijo sua mão, eu beijo sua bochecha, eu beijo sua boca e a ponta do seu nariz). eu faço almoço pra gente, hoje (a gente faz compras e é como se a gente fizesse isso todo dia — exceto pela parte em que não é, e essa é toda a beleza da coisa. estar com você é algo que eu sei fazer, mas é novo, ao mesmo tempo), assistimos um episódio de qualquer coisa comendo (o café da manhã é bom e nós assistimos o final de goblin, e algo sobre você conhecer algo de que eu gosto muito é bonito, assim como eu conhecer as coisas de que você gosta muito, também), em algum momento nós deixamos tudo na cozinha e eu não lembro se a louça foi lavada ou não, mas vamos parar no quarto outra vez. eu digo que te amo, e eu digo isso muitas vezes durante todo o tempo em que estamos juntas (nós terminamos, eu lavo a louça e sentamos no sofá — ou talvez tenhamos ido pro quarto, os detalhes me fogem —, você sabe cada vez mais quem eu sou, eu sei cada vez mais quem você é, e você é tão bonita. e você diz que eu sou tão bonita, e eu acredito), nós fazemos pipoca e você bebe algumas cervejas, eu faço uma caipirinha ruim e perco pra você, no buraco. nós vamos pra cama tarde, você descobre quem eu sou, eu descubro quem você é, e agora a gente vai dor-mir.
eu me levanto e escovo os dentes, você se levanta depois e escova, também. "você nem gosta de rosa", você me contesta, e eu rio, porque gosto sim, não é minha culpa que eu goste tanto de preto, também. ficar na cama com você é bom, apesar da minha garganta estranha e da tosse que aparece de vez em quando (eu escovo os dentes, e você escova os dentes, e nós já sabemos que é difícil sair da cama e sair uma do lado da outra; cada vez se distancia um, dois meses da vez anterior, mas parece que a gente teve todo esse tempo pra se acostumar a estar perto, enquanto estava longe. estar com você é, pouco a pouco, como estar comigo mesma, e o pensamento me faz sorrir, e eu beijo sua mão, eu beijo sua bochecha, eu beijo sua boca e a ponta do seu nariz). eu faço almoço pra gente, hoje (a gente faz compras e é como se a gente fizesse isso todo dia — exceto pela parte em que não é, e essa é toda a beleza da coisa. estar com você é algo que eu sei fazer, mas é novo, ao mesmo tempo), assistimos um episódio de qualquer coisa comendo (o café da manhã é bom e nós assistimos o final de goblin, e algo sobre você conhecer algo de que eu gosto muito é bonito, assim como eu conhecer as coisas de que você gosta muito, também), em algum momento nós deixamos tudo na cozinha e eu não lembro se a louça foi lavada ou não, mas vamos parar no quarto outra vez. eu digo que te amo, e eu digo isso muitas vezes durante todo o tempo em que estamos juntas (nós terminamos, eu lavo a louça e sentamos no sofá — ou talvez tenhamos ido pro quarto, os detalhes me fogem —, você sabe cada vez mais quem eu sou, eu sei cada vez mais quem você é, e você é tão bonita. e você diz que eu sou tão bonita, e eu acredito), nós fazemos pipoca e você bebe algumas cervejas, eu faço uma caipirinha ruim e perco pra você, no buraco. nós vamos pra cama tarde, você descobre quem eu sou, eu descubro quem você é, e agora a gente vai dor-mir.
nada sei dessa tarde
se você não vem
sigo o sol na cidade
pra te procurar
(é fácil me deixar levar, com você; é fácil me despir de tudo, de inseguranças, é fácil criar coragem feito uma criança que quer mostrar que pode fazer alguma coisa e descobrir que pode mesmo. eu sou alguém com você que eu não sou a todo tempo, mas que ainda sou eu, de uma maneira bonita e crua, sem filtro, de um jeito meio sem jeito que eu tento não deixar você perceber. "eu tenho vergonha, mas você pode não perceber", eu digo, mas eu quero que você perceba. que eu tenho vergonha, que eu faço mesmo assim, que eu me deixo ser vulnerável com você e que eu tiro outra e outra e outra camada de contenção a cada vez, pra me jogar no seu abismo de uma vez só. o quarto, sim. a noite é linda, a varanda é linda, você vê as estrelas comigo e é como ser adolescente e fazer tudo só pela graça — no fim, a gente realmente faz só pela graça; é simples assim. porque é divertido, porque é bom, porque a gente gosta de rir e porque ficamos assistindo uma premiação antes disso tudo. é simples porque você fala comigo, porque eu faço com você, eu me seguro na beirada, sua perna falha e a gente ri. varandas nos desestabilizam, talvez seja isso, só. você volta comigo pro quarto, e essa noite dura pra sempre, até a gente dormir de puro cansaço só pra acordar duas horas e pouco depois, porque nem mesmo o meu corpo quer me deixar perder tempo sem olhar pra você)
eu bem sei onde tudo vai parar
já não tenho medo do mundo
sou filho da eternidade
(ninguém planeja nada; você me diz, depois, que nem imaginava que isso pudesse acontecer. eu te conto que imaginava, sim, e por dentro fico rindo da graça de ideias opostas em sentimentos conflitantes entre si, mas iguais. suas mãos são muito bonitas, e o seu toque na minha pele é bom e natural; o quarto é escuro, mas eu enxergo você. enxergo pelo pouco de luz que entra pela fresta da cortina, enxergo pela minha pele que encosta na sua, e eu te amo. me pergunto se você sabe o quanto eu te amo, do jeito que você é, de todos os jeitos que você é; que eu amo sua pele, suas costas, suas mãos, sua barriga, seus braços, suas coxas, seus pés; que eu amo seu cabelo e sua boca e o jeito como seu nariz fica engraçadinho quando você sorri e como sua boca fica quando você sorri de canto e como tudo no seu rosto se junta pra formar algo que é só seu e que, ali no escuro, é só meu, também. meu corpo se move em direção ao seu — é assim em casa, na rua, em pé, deitada —, eu te beijo e você me beija e me pergunta se tudo bem. "tudo", eu te respondo. tudo bem, sim. eu entendo muita coisa, ali, muita coisa que me disseram e muita coisa que eu já me disse, muita coisa que eu tentei entender sobre algo que é seu e só seu, e você pode escolher dar um pouco a outras pessoas, e elas podem aceitar e cuidar daquilo pra você. eu entendi que já era seu há muito tempo. eu entendi que você sempre cuidou, mesmo antes que eu soubesse. "eu amo você", eu digo, baixinho. "eu amo você", você me responde. eu sei. ah, meu amor, eu sei, sim. a gente dorme, e eu estou em paz.)
trago nesses pés o vento
pra te carregar daqui
mas você sorri desse jeito
e eu, que já perdi a hora e o lugar,
aceito
últimos dias trazem algo que eu não gosto (últimos dias trazem um nó na garganta e eu tento não pensar nele, mesmo que esteja ali, esperando, quieto), mas permanecemos aqui. eu dormi feito uma pedra, eu acordei beijando suas costas — talvez essa seja meio que a minha coisa —, você acorda e me abraça e eu te amo demais, ali, antes dali, e depois dali (o cansaço é tão grande, mas, de alguma forma, nós nos levantamos; a luz acaba e decidimos ir ao cinema. eu estava preocupada antes, dias antes, semanas antes, mas agora nenhum imprevisto consegue me tirar do bom humor. mais imprevistos se provam insistentes, eu te abraço e fica tudo bem — você é insistente demais, eu preciso pontuar). o nó na minha garganta insiste, se agrava, a tosse insiste e se agrava, você cuida de mim. você sempre cuida de mim, perto ou longe, com carinho ou palavras. você sempre cuidou de mim, fosse numa noite regada a choro ou a cerveja e bebida ruim. você. (a luz acaba no cinema, também, e eu acho graça; volta depois de uns vinte minutos, e eu consigo te deixar prestar atenção no filme, até; o sono me assola e eu quase durmo em algumas partes, mas tudo bem. você chora, eu rio porque é uma graça, e enxugo suas lágrimas, e faço graça por você chorar em filme de lutinha enquanto nós duas tomamos sorvete direto do pote com duas colheres de sopa. eu faço graça com tudo, e eu me pergunto se você sabe que é porque eu não consigo te deixar em paz)
o dia é melancólico (o dia é melancólico), você chora antes do fim do dia e eu faço piada, engolindo meu choro e tentando te ajudar a se recompor (você chora antes do fim do dia e eu soluço, te abraçando e cantando com você, e pra você, e dizendo que eu te amo enquanto as lágrimas escorrem pelo meu rosto e o meu corpo balança de agonia e o seu também, mas tudo bem, amor, tudo bem porque você está comigo, tudo bem porque eu estou nos seus braços e tudo bem porque é essa a razão pela qual a gente chora; porque não se sabe quando vai haver de novo uma brecha no espaço-tempo. eu amo você, e você sabe. você me ama, e eu sei. o tim maia já dizia: eu amo você, menina).
o dia é melancólico (o dia é melancólico), você chora antes do fim do dia e eu faço piada, engolindo meu choro e tentando te ajudar a se recompor (você chora antes do fim do dia e eu soluço, te abraçando e cantando com você, e pra você, e dizendo que eu te amo enquanto as lágrimas escorrem pelo meu rosto e o meu corpo balança de agonia e o seu também, mas tudo bem, amor, tudo bem porque você está comigo, tudo bem porque eu estou nos seus braços e tudo bem porque é essa a razão pela qual a gente chora; porque não se sabe quando vai haver de novo uma brecha no espaço-tempo. eu amo você, e você sabe. você me ama, e eu sei. o tim maia já dizia: eu amo você, menina).
nada sei nessa tarde
se você não vem
sigo o sol na cidade
a te procurar
a respiração é funda quando é perto de você ir; a carta do diabo te diz pra ficar, eu penso que queria que você ficasse, e você fica — um poucp. nunca é o suficiente, mas tem que ser (a despedida é um pouco mais comedida. depois de chorar, a gente ri, e então chora outra vez. você toma um banho e eu me sento na cama, tremendo, pensando em como viver, mais uma vez, sem você). você se arruma e eu faço um lanche de queijo com orégano enquanto o uber se recusa a chegar, e o tempo corre feito louco, e o desespero pega a gente de surpresa (nós já sabemos o suficiente pra deixar a última hora planejada, eu te abraço e concordo em só te deixar lá embaixo, o tempo sobra). meia hora: nada de uber. vinte e cinco minutos: chama um táxi. vinte minutos: a caminho. quinze minutos: indo pra rodoviária. de algum jeito o tempo se multiplica, sobra um pouco, eu escondo uma carta no bolso da sua mochila e te conto ali, na rodoviária, você me abraça forte e vai — o tempo se dobra pra dar tudo certo, mas a gente sempre soube que o tempo se dobrava pra nós (não tem carta escondida ou presente secreto, porque pra você, agora, eu sou um livro aberto, e não existe tempo pra mistério quando eu só quero você. eu descubro que não sei me sustentar sem você perto de mim; eu sento um pouco, tremendo, a cabeça dói, eu não quero chorar. como é falar com você por mensagem? eu não lembro. eu não me lembro de como é não ter sua pele contra a minha e sussurrar no seu ouvido e sentir seu corpo reagir. eu me dou conta de como a gente se contenta com pouco, tão pouco).
você me liga enquanto eu volto pra casa (você não me liga, dessa vez), a garganta aperta e eu fico mais doente do que estava antes (minha garganta resolve fazer um revival e começa a infeccionar logo que você vai embora). eu me deito na cama, tentando descobrir como viver a vida no vazio que fica, sem você (eu me sento e escrevo sobre como é bom amar você, confiar em você, me entregar nas suas mãos; meus olhos fecham de sono e cansaço, mas eu escrevo. você deixa um único halls de uva verde em cima do meu caderno, e aquilo me faz querer chorar. quando eu durmo, nessa noite, eu não me lembro se chorei ou não, mas me pergunto como eu aguentei a sensação em todas as outras vezes em que você foi embora: a sensação de que algo falta, a ausência do seu abraço em mim. eu me dou conta, sem surpresa, de que nunca aguentei).
você me liga enquanto eu volto pra casa (você não me liga, dessa vez), a garganta aperta e eu fico mais doente do que estava antes (minha garganta resolve fazer um revival e começa a infeccionar logo que você vai embora). eu me deito na cama, tentando descobrir como viver a vida no vazio que fica, sem você (eu me sento e escrevo sobre como é bom amar você, confiar em você, me entregar nas suas mãos; meus olhos fecham de sono e cansaço, mas eu escrevo. você deixa um único halls de uva verde em cima do meu caderno, e aquilo me faz querer chorar. quando eu durmo, nessa noite, eu não me lembro se chorei ou não, mas me pergunto como eu aguentei a sensação em todas as outras vezes em que você foi embora: a sensação de que algo falta, a ausência do seu abraço em mim. eu me dou conta, sem surpresa, de que nunca aguentei).
nada de meu nesse lugar
a cidade vai pensar
que nada aconteceu em vão
você vai me ligar então mais uma vez