24.7.23

o tempo

 (móveis coloniais de acaju)

Espero o dia que vem
Pra ver se te vejo
E faço o tempo esperar como esperei
A eternidade se passar nos dois segundos sem você
Agora eu já nem sei
Se hoje foi anteontem
Me perdi lembrando o teu olhar
O meu futuro é esperar pelo presente de fazer
O tempo engatinhar
Do jeito que eu sempre quis
Distante é devagar
Perto passa bem depressa assim
Pra mim, pra mim
Laiá, lalaiá

o tempo do tempo do tempo do tempo que a gente precisa pra pensar em tudo quanto é coisa. o tempo que leva pra se sentir tudo de verdade e entender o que sentiu, o tempo de aceitar que o que se sente. é só o que se sente e tudo bem.

o tempo de você entender o que sente e estar em paz. o tempo de eu estar cada vez mais em paz com o que sinto, por você ou não.

eu gosto de você. gosto gosto de você. eu não precisei que você gostasse de mim de volta pra começar a sentir isso, e não é como se você não sentir nada por mim de volta fosse acabar com esse gostar. eu gosto de você porque eu te conheço, principalmente, e porque em uma noite de conversa eu percebi que continuei te conhecendo, e pude alcançar o tempo perdido de algumas das coisas que faltava conhecer sobre você. eu gosto de você e vou continuar gostando de você, porque além de gostar gostar de você, eu gosto de você também, e só.

eu quero só viver a vida e aceitar o que eu posso viver a cada momento. se agora isso é saber que você quer que eu sonhe com você, é o que eu quero.

eu amo você. e, por muito ou por pouco, agora o bem que esse sentimento sozinho me faz já me basta.

(que texto confuso só pra dizer que continuo feliz de a gente se falar e queria que você fosse mais gentil consigo mesma) 

12.7.23

presente

quando eu penso sobre isso, você gostar de mim parece um presente. parece uma coisa meio milagrosa, não por ser impossível, mas por como eu me sinto maravilhada. eu me lembro de quando, no fatídico junho — que nem era tão fatídico assim, afinal, o fim já tinha acontecido —, eu me dei conta de que você também se sentia insegura sobre o amor e sobre um monte de coisas; pra mim não era tão claro, porque você sempre é tão fantástica, e eu sempre te vi com uma autossuficiência e um conhecimento de mundo tão grande... claro que alguém como você não teria razões pra se sentir insegura. mal sabia eu.

hoje, não levo as coisas tão de leve; hoje eu entendo como é a insegurança, mas acho que nunca vou saber exatamente como você se sente. acho que, em parte, é essa a graça: confiar no sentimento do outro, confiar em uma certeza que nunca vai ser absoluta. meu coração se encheu de felicidade e alívio quando você disse que gostava de mim, e hoje eu estava falando sobre e descrevi como uma felicidade que a gente só tem com esse sentimento específico, o de gostar de alguém. não de estar apaixonada, nem de amar (até porque eu te amo e você me ama, e isso nunca teve a ver só com a gente estar junto), mas de gostar, esse sentimento juvenil de querer que alguém sinta aquilo por você de volta, a sensação de sorrir sempre que fala com alguém, sempre que pensa em alguém; existe uma felicidade que só aparece quando alguém gosta de você de volta. hoje, eu acho que aprecio ainda mais quando você sorri enquanto fala, quando você me dá boa noite, me agradece pela companhia, me manda mensagem querendo saber como eu estou e me diz pra sonhar com você ao me dar boa noite. é fantástico que você goste de mim, e talvez seja fantástico que eu goste de você. é fantástico te deixar existir ao meu redor e que você me deixe existir ao seu redor também. “é sempre um prazer inenarrável”, você diz, e eu me pergunto se você sabe o quanto cada palavra dessa é especial, o quanto eu senti falta de falar com você sobre as coisas, da mais séria à mais besta.

obrigada por voltar a falar comigo. obrigada por ser minha amiga, obrigada por me deixar gostar de você e por gostar de mim de volta. acho que nunca ganhei um presente tão bonito.