25.8.20

lembranças

 hoje eu fiquei lembrando do show do keane — não só do show, mas de todo o sentimento que envolveu os meses antes do show: ouvir as músicas, criar a expectativa, todas as vezes que eu vi amanda em novembro, toda a felicidade por vê-la de novo em breve. descobrindo e redescobrindo músicas que eu amava. ficando feliz ao ver músicas que amanda ama. a música favorita da amanda tocando no show. achar 50 reais no chão (hahaha). o show sendo a coisa maravilhosa que foi e o sentimento de que nada de ruim aconteceria, nunca. <3

28.7.20

18:18

eu amo você :(

(desculpa por ter te trazido pro olho do furacão)

27.7.20

chega

eu só quero parar de me sentir sozinha e conversar com alguém de verdade sobre qualquer coisa besta

chega

chega

chega

chega

8.7.20

eu sei que é egoísmo,

(eu sei)

mas às vezes só queria não ter que lidar com isso nunca mais
de nenhum jeito
não ficar com medo de que algo aconteça
não saber que estou de mãos atadas pelo destino dos outros
não enxergar cenas ruins de novo e de novo e de novo na minha cabeça
e temer que elas se concretizem

(eu sei que é egoísmo, mas eu queria)

5.7.20

terapinha tip #1

você pode querer desistir de fazer algo que você quer fazer por medo de não ser tão boa, ou de outras pessoas não gostarem daquilo; não fazendo, você sabe que não vai dar errado. mas também não vai dar certo, né? a única forma de melhorar em algo é aprender com os seus erros, e você nunca vai aprender se não fizer.
se comparar a outras pessoas é um poço sem fundo, porque cada pessoa tem sua velocidade e seu aprendizado. sua mente te diz que você não consegue, mas não é uma perspectiva real; é só algo que ela quer que você acredite, porque a mente foge da frustração.

quando sentir que é melhor parar, pense “minha mente diz que eu não consigo” ao invés de “eu não consigo”. são duas coisas muito diferentes.

um passo de cada vez, você consegue. invista nas coisas que você ama, melhore, descubra técnicas novas. tá tudo bem. você consegue.

3.7.20

enjoo

sabia que eu fico enjoada toda vez que mordo um pedaço de pão com manteiga?

saudade de comer um pão com manteiga quentinho da frigideira ou da sanduicheira. chuif

i'm afraid of making a mess

eu tenho medo de mexer demais no que eu não sei se posso mexer. 
talvez seja melhor se eu continuar como era pra ser
do jeito que eu sabia que podia funcionar

seria o altruísmo egoísmo quando você pensa que só pode evitar magoar a si mesmo?

1.7.20

reflexões: começo de julho

pensei em deixar aqui algumas reflexões que me acometeram no começo do mês, já que elas têm menos aspecto de lista (e que eu não gosto muito do fato de o meu listography ser tão “observado” hoje em dia; às vezes a gente quer anotar as coisas só pra gente).

  • por que eu me mantenho nessa angústia a respeito de quem eu sou de verdade? será que essas dúvidas vêm de um lugar de entender quem eu sou e parar e pensar demais e tentar definir e controlar tudo, ou elas vêm porque eu não me identifico mais com coisas que antes me “definiam”?
  • por que eu me considero subestimada no trabalho? isso tem a ver com ser realmente subestimada, com não investir meu tempo em cursos, ou com não me identificar com o discurso motivacional que a empresa levanta?
  • por que eu me sinto frustrada com meus hobbies artísticos? eu não invisto mais tempo e esforço neles por preguiça ou por ter medo de não ser tão boa? e quando me oferecem trabalhos relacionados a eles (bordado e desenho, por exemplo), o medo e a relutância aparecem por causa da falta de experiência ou pelo medo de não conseguir entregar um resultado “bom o suficiente”?
  • por que eu tenho me sentido tão sozinha e inapropriada? isso tem a ver com não saber definir o que estou sentindo e preferir não falar sobre por causa disso?
  • por que certas pessoas e situações não saem da minha cabeça? por que eu continuo procurando coisas sobre essas pessoas, ou revisitando situações e pensando o que eu poderia ter feito de diferente? por que essas coisas me afetam tanto?

vai que no fim do mês eu tenho alguma resposta pra essas questões aí?

uma pergunta que eu não sei explicar

será que eu sou quem eu acho que sou, ou eu sou quem eu sou de verdade?

29.6.20

e se

eu penso demais
o tempo todo

e se
pensar demais
sobre quem eu devia ser
(quem eu queria ser,
quem eu deveria ser,
quem eu poderia ser)

e se tudo isso
é o que não me deixa ser eu?

(pior ainda:
e se for o que me torna eu?
ah, será que eu nunca
vou deixar de me dar trabalho?)



edit: isso aqui

26.6.20

healing ritual — whatever, dad

eu acho que não sou normal o suficiente.

também não sou especial o suficiente — começo meus parágrafos com o pensamento de que eles não são como deveriam, e minha vida segue o mesmo fluxo, em que eu sempre penso que sou algo, mas não como devia; não especial o suficiente, não dedicada o suficiente, nunca o suficiente.

quando eu estava na sétima série, talvez na sexta, me lembro de pensar que queria sair do meio do caminho; ser mais branca ou ser mais preta. literalmente; até a indecisão do meu tom de pele me atormentava, o meu eterno meio-do-caminho. por toda a minha vida eu me pego começando e parando projetos que mais tarde se tornam projetos de alguém que teve ideia parecida e levou pra frente, e assim posso encarar meu fracasso em forma de sucesso alheio. dói ser ressentida; dói não me achar o suficiente.

dói. e eu, se for sincera, não sei por que dói — não sei por que não continuo, não sei porque não ajo, não sei por que não paro. é como se eu seguisse, e seguisse, e seguisse, mas continuo no meio do caminho. talvez porque não exista um fim e essa é só uma história que contamos a nós mesmos para que seja mais fácil continuar; para que os pés se cansem mas a mente insista, e então, quando chega o fim, ele é apenas o fim, e não há nada depois dele. tudo o que é meu se permeia com incerteza e a semente da indecisão plantada a muitas mãos no meu coração me faz questionar como será, como foi, como seria; a memória ruim colabora, e compartilha lembranças que não sei se são reais ou inventadas: palavras, sentimentos, felicidade tristeza raiva alegria. queria dizer que sei com certeza quem eu sou e quem fui e o que sinto e o que senti, mas me é um mistério.

talvez seja isso que as pessoas querem dizer quando te dizem para não se apegar ao passado; talvez queiram dizer que não podemos ter controle, que já passou e por isso não vale a pena se agarrar como uma certeza. mas se não há certeza no passado, onde há? talvez seja uma lição: se lembre de quem você é, mas nunca de quem você foi. se você é o fruto de todas as pessoas que você veio sendo, não deve ser tão difícil.

mas é, e é por isso que me pergunto se essa é a forma mais certa de se fazer alguma coisa. qualquer coisa. sinto que cada decisão pode ser certa ou errada enquanto digo a alguém que não há decisões erradas, e me desacredito a cada palavra, porque nunca foi tão fácil desacreditar em mim. talvez eu seja uma grande mentira, mas só o que basta é continuar me enganando.

afinal, o meio do caminho se mantém enquanto tivermos esperança de que chega em breve o fim. e o que é isso, senão uma grande enganação, monumental, engenhosamente planejada?

24.6.20

pungente

a sensação amarga que é sentir saudades do que já foi,
quando o que já foi é melhor do que o que está sendo.

moeda de troca

o tempo virou uma moeda de troca valiosa demais
e agora, eu que sempre tive tanto tempo,
não tenho nada

(e eu sinto falta)

3.6.20

com amarelo passa

É difícil.

Muito é difícil. Às vezes, é mais difícil do que outras vezes. Minhas mãos tremem e eu escrevo, “amarelo”. Respiro fundo, pensando em qual técnica mirabolante eu vou precisar inventar pra não hiperventilar outra vez, e ficar sem ar. “Amarelo”. É muito chato não ter o controle das próprias emoções, sim. E pior ainda é ser encurralada pelo grupinho valentão que são as coisas que podem, “amarelo”, desencadear sentimentos indesejados. Eu gosto de respirar, muito bem, obrigada, e não quero ser privada disso por causa de qualquer coisa. Mas ali e ali e ali a ansiedade me persegue e eu preciso desligar a internet no celular, “amarelo”, pra não ficar checando a cada cinco minutos, ou me apavorar com a luz da notificação. Mas ah, o computador se encarrega do resto.Abas abertas, fechadas, abertas, fechadas, abertas, “amarelo”. Evito abrir ali depois daquilo. Evito qualquer coisa que me exponha mais do que eu preciso me expôr.

Tudo parece muito (“amarelo”) falso, nesses tempos. Qualquer felicidade parece errada, e eu apago. Indignação, apago. Tristeza eu evito, na maioria das vezes, acho que por reflexo, mas também pode ser por não querer que ninguém venha em socorro. Acho que eu não preciso de socorro, ainda. Não está tudo bem, mas eu me viro em “amarelo” borboleta, e consigo lidar. Nem todo momento triste é completamente triste. Nem todo momento feliz é completamente feliz. Um fantasminha camarada me segue e desregula todas as minhas emoções, que estavam organizadas em ordem alfabética. E que razão (“amarelo”) eu tenho pra me intrometer naquele outro lugar? Pra provocar algo ali? Oras, eu não tenho. Eu sou “amarelo” passageira. Eu sempre fui passageira, e não é algo de ruim. Talvez algum dia eu aprenda a não ser passageira, ou a entender melhor as coisas. Mas agora, tudo é muito confuso, creio eu, e nem no meu momento de maior (“amarelo”) lucidez eu consigo me livrar do meu Gasparzinho, enfiando notinhas com coisas das quais eu não tenho certeza por baixo da porta. Maldição, Gaspar! A ajuda não vem a galope! A respiração é difícil, mas ainda de um jeito suportável. As lágrimas não vêm, graças a deus, porque é mais difícil de me esconder tão cedo na noite.

Eu ainda não sei AMARELO bem. Não sei de fins AMARELO nem de começos AMARELO; nunca soube. Não sou muito AMARELO do tipo que sabe das coisas, afinal AMARELO de contas. Eu me AMARELO seguro pra não cair, e só. E nem nessa tarefa tenho AMARELO me saído tão AMARELO bem assim.

Era pra passar com amarelo.

Mas será que passa?

(publicado originalmente no blog com amarelo passa, no dia 8 de janeiro de 2015. às vezes, é bom olhar pra trás)

26.5.20

retórica

você já se sentiu como se pudesse arrancar a própria pele com as unhas e só deixar de existir dentro dela?

25.5.20

23.05.20 — 15:28

“olhando pra fotos de quando eu era feliz
(não me lembrando da sensação)”

a day in the life

eu acordo. acordo cedo, muitas vezes, mas me vejo incapaz de levantar; penso que é o melhor, mas não encontro em mim nenhuma vontade para colocar o plano em prática. meu despertador apita a cada meia hora e eu me irrito, e olho meu celular, e espero encontrar ali qualquer coisa pela manhã que me faça querer viver de novo — algo como o presente de um papai noel —, mas nada existe; então, eu enrolo e seguro o celular entre as mãos. normalmente, nenhuma mensagem pode me animar; por vezes, um “amiga, bom dia!” me traz um sorriso ao rosto (ainda bem que a luisa existe). vejo a tirinha do dia de dumbing of age, checo a hora, e me levanto. às vezes me levanto às oito e meia, às vezes às nove, às vezes depois; frequentemente me pergunto o que aconteceria se eu apenas decidisse não me levantar.

(no dia depois da madrugada em que eu passei mal, demoro a abrir os olhos depois de cochilar pela manhã; são onze horas e, quando abro os olhos, penso que demoraria até alguém me encontrar caso eu não estivesse mais viva.)

me levanto; muitas vezes enrolo, porque não quero sair do quarto. enrolo até mesmo para ir ao banheiro — tudo tem que ser feito às pressas. às vezes, acordo comigo o passarinho e faço carinho nele antes de voltar. às vezes, estremeço ao encontrar meu pai ou ver meu irmão pela manhã. a vontade de fazer parte de um mundo externo ao meu quarto diminui, e eu cedo; já tenho água na minha cabeceira. por vezes, também me esqueço de comer — tem sido mais difícil, desde que passei mal. minha alimentação está completamente desregulada, e prefiro ficar no quarto a sair. às vezes, em dias melhores, me permito.

minha cabeça fica envolta num zumbido durante todo o dia. funciono devagar alguns dias, rápido em outros: “o dia passa rápido demais, mas não rápido o suficiente”, eu escrevi, certa vez. me pego sem querer pensar. me pego sem conseguir prestar atenção (e sem querer, também, se for sincera). algumas reuniões me fazem querer chorar, outras me fazem querer gritar. olho o celular; escrevo; me arrependo; fujo. alguém fala comigo, respondo sem estar realmente ali — me sinto triste por não conseguir responder com empolgação alguém que só quer me ajudar. sem conseguir responder, me sinto só, e me sinto a cada dia mais só. o dia acaba e minha cabeça ainda faz barulho, e eu continuo sentada, pensando se consigo adiantar uma tarefa, fazer mais alguma coisa,

[são dez e meia e eu não fiz nada.

eu me deito. às vezes, eu choro; choro muito, em silêncio, sem saber dizer o motivo desse choro em específico. eu tento respirar fundo. eu penso que só quero dormir, mas que não quero dormir porque não quero acordar. eu fecho os olhos. penso em dizer que vou sumir um pouco, penso em sumir aos poucos. penso que é injusto, e me canso de pensar. eu tenho algum pesadelo, normalmente, ou um raro sonho.

eu acordo.