16.9.21

(não tô enlouquecendo)

eu queria dizer que tem algo errado e ter uma conversa e entender coisas e mudar coisas

mas eu não queria ser taxada de louca por mim mesma na esperança de que tudo volte ao normal

eu não sei se são os tempos ou se são os problemas ou se são as pessoas ou se somos nós

mas eu sinto falta de conversar e falar sobre sentimentos e de lidar com os problemas

ao invés de pedir desculpas e dizer que deve ser coisa da minha cabeça

enquanto eu me preocupo e o sentimento amarga

(eu não tô enlouquecendo)

13.9.21

faca tirada do peito

a dor que permanece é a dor da falta, eu acho. é por isso que é pior quando você retira a faca de um ferimento. de alguma forma, o que era bom vira dor, e a dor de certa maneira não é tão ruim até que deixe de te preencher. esquisito, não? quando a faca entra, você tem que se adaptar, tecido sendo empurrado e sangue envolvendo a lâmina, mas o corpo consegue manter tudo pra dentro; quando a faca sai, a dor é maior, o sangue escapa e o corpo começa a entrar em pânico. mesmo que seja dor, era melhor com a faca ali.

eu ainda estou tentando entender por que sinto tanta raiva de você. talvez porque o que a gente tinha era muito bom; tanto, tanto em comum. eu li um livro outro dia, e a protagonista me lembra você. me lembra quem você era, quem eu não sei se você ainda é. eu tento entender se o que eu sinto é raiva ou um tipo amargo de angústia, se é culpa do sentimento que foi interrompido.

faz tanto tempo que você tirou a faca do meu peito, e ele ainda não parou de sangrar.