1.11.22

queda em três atos

28.06.22 (separação, crise de sinusite e pós-leituras) — eu me pergunto se insistir demais é o fio da faca ou da salvação. acho que a vantagem de acreditar no divino traz a paz de saber que tudo já está planejado e pronto, e estamos nos encaminhando pro que sempre foi a epítome da nossa própria vida; eu não tenho essa certeza. eu preciso escolher entre continuar e parar, entre deixar a incerteza me dilacerar ou acreditar no que eu acredito., quero acreditar?, acredito.. é uma escolha continuar amando, assim como é uma escolha continuar vivendo, dia após o outro. será que eu sou muito dramática? será que vai dar certo? nessa vida em que nada é certo, eu decidi que é o suficiente pra mim querer que dê certo. eu quero que dê certo e que fique tudo bem. e não é assim que o amor salva o mundo? eu gosto de pensar que não quero demais, e que te faço bem. eu quero aprender a te fazer bem e a me fazer bem. deixa registrado uma esperança inofensiva (será?) de voltar ao papel que era meu e eu, boba, abdiquei. porque eu amo você. e, tudo considerado, esse amor não é tão ruim assim.

(ainda no mesmo dia) — eu amo você. e eu sinto falta de dizer que eu amo você sem ter medo que isso invada seu espaço ou te faça sentir mal. não é que eu não ame você no sentido de querer dormir do seu lado todo dia e ficar grudadinha. mas é que eu amo você mesmo que eu nunca mais me deitasse de conchinha com você na vida.


11.10.22 (saudades) — eu sinto sua falta. sinto falta de te contar meus sonhos, de ouvir você falar, de sentir você empolgada. sinto falta de poder fazer uma diferença boa na sua vida. sinto falta da sua presença, só; e, ao mesmo tempo, nunca é "só", porque sua presença já é muito. queria ter ido te ver no sul e arriscado. queria não ter brincado tanto no rio. queria ser mais como você precisa, às vezes, porque não te ter na minha vida segue sendo doloroso demais. sinto falta de me sentir uma pessoa melhor porque você me torna melhor, me faz pensar em coisas que eu não tinha pensado antes. sinto falta de conversar e discordar, porque você me traz novas perspectivas. sinto falta de poder cuidar de você, porque eu sinto que o mundo anda te maltratando muito; desculpa pelas partes em que o mundo fui eu. sinto medo que você passe a acreditar que a vida não tem graça nenhuma, porque sua animação é contagiante, e porque ninguém merece viver só esperando a próxima pancada. eu queria te falar isso tudo, mas não falaria nada se eu pudesse só te abraçar, porque queria te dar um abraço, por você e por mim. queria que as coisas fossem menos complicadas, mas elas não são. então, queria ao menos que fossem complicadas juntas.


24.10.22 (pós últimas mensagens que troquei com você. não quero te mandar isso, mas minha cabeça fica pensando e pensando e pensando) — eu nunca imaginei que você fosse falar assim comigo, com raiva e grosseria. fico pensando se eu mereci, mas aí eu penso: por que você pode falar comigo mesmo depois de pedir um tempo, mas eu não posso? não sei quando as coisas entre a gente se tornaram esse "dois pesos, duas medidas", só sei que não quero ser outra pessoa que você acompanha e lê, vê stories de longe, como você faz com a his; não quero ser um fantasma na vida de alguém. minha opinião ainda é a mesma: nada vai mudar enquanto você não encarar e enfrentar o que tem dentro de você, mas você se isola e foge; eu sei que é difícil, mas não tem outra saída. eu fico triste de não ter mais a sua companhia pra bater papo sobre qualquer coisa, pra discutir, aprender e ensinar, trocar música e rir de besteira, mas como a gente se fala depois dessa última conversa, né? não se fala. e não compartilha mais o carinho mútuo, eu acho. agora pensar em você me traz ansiedade e eu excluí toda a conversa pra não reler e reler e reler e cair na espiral de tentar entender onde tudo desandou. amor é escolher amar todos os dias, ter carinho todos os dias. então, talvez você não me ame mais. e talvez eu tenha que aprender a não te amar mais, também.

(eu ainda não entendo por que você precisa afastar as pessoas pra conseguir gostar de você primeiro. as pessoas não querem esperar você ser a melhor versão de você, elas só querem sua companhia. e você vai acabar se destruindo se continuar obrigando as pessoas a não gostarem de você. espero que tenha valido a pena me magoar e se afastar. no mínimo, né?)

1.8.22

nem que seja só pra te levar pra casa

sinto saudade de você. fico olhando as horas iguais e lembrando de quando eu podia dizer que te amo a qualquer hora, o tempo todo, sem ter medo de passar dos limites. tantas músicas sobre amar alguém ficam presas na minha cabeça me fazendo pensar em você que eu já teria uma playlist inteira. se você soubesse... mas você sabe.

às vezes eu paro e me pergunto se você se apaixonaria por mim outra vez. queria te fazer essa pergunta, mas ela não tem resposta — se tivesse, seria negativa, e dessa resposta eu fujo. me pergunto como seria agora, o tempo escasso, você aí, eu aqui; fico querendo ser dessas coisas que já são rotina, como se você falar comigo não gastasse um pingo de toda a energia que você precisa pra passar pelo dia. penso em como a saudade continuaria sendo grande, do mesmo jeito que é agora. penso que eu queria te ver de novo e te abraçar, porque eu moraria no seu abraço.

eu quero que você seja feliz, e quero ser feliz por você. gostaria de ser feliz com você, de novo, também. prefiro acreditar na esperança das coisas boas das quais eu tenho certeza do que no medo de que tudo vai minguar.

acredita que hoje, do nada, fiquei com só hoje, do jota quest, na cabeça?

eu acredito.

3.7.22

sudden realization

nothing is gonna be the way it was before, is it?

2.7.22

covarde confissão

me pego encarando meus pés-virtuais, grande parte das vezes, pensando em como vou falar das coisas sobre as quais, eventualmente, eu preciso falar. meu relacionamento terminou — não de uma forma bruta, mas terminou, de todo jeito — e eu não quero falar sobre isso. porque falar significa aceitar, e, por mais que eu esteja lidando com isso de uma forma bastante madura, eu não sei se minha cabeça entender o que é aceitar, ainda.

dizer que meu relacionamento terminou é encarar algo que eu não quero e admitir derrota, de certa forma; pro mundo, pra vida, pro meu temperamento e pro dela. é mostrar pras outras pessoas que a história de garota-encontra-garota não é assim tão perfeita (ninguém disse que era, não sei de onde eu tirei isso), perder meus cinco pontos na carteirinha de pessoa-que-se-considera-boa-no-quesito-relacionamentos. e nem tanto isso tudo, mas é encarar que agora eu preciso me adaptar a não chamar a pessoa de quem eu gosto de amor, de benzinho, flertar e deixar meu coração ter soluços de tão apaixonado. e nem é que eu não possa estar apaixonada — esse tipo de coisa não se controla —, mas é que eu não posso ficar expondo isso o tempo todo. acabou. fim. respire fundo e troque amor por um nome, encontre o caminho trilhado rumo ao relacionamento amoroso e pise nos seus próprios passos até chegar no início, onde toda essa baboseira ainda não existia.

acho que, no fim, a maior afetada sou eu mesma. não porque eu não quero dizer aos outros que tudo acabou, não porque eu não quero encarar a derrota ou a perda ou o luto, mas porque é difícil, e eu não gosto de difícil. eu quero me deitar na cama ao lado de alguém e sentir a pele quentinha contra a minha, eu quero poder encarar outros olhos bem de perto, eu quero andar de mãos dadas na rua, e não com qualquer pessoa, mas com ela. a ironia é que isso tudo se deu por minha causa, e eu agora vivo aquele clichê de “a gente só dá o valor depois que perde”.

a perda é minha, a derrota é contra mim, o drama me engole feito onda que corre atrás de criancinha brincando na praia. e eu tento não me deixar levar pelas piores perspectivas, e acreditar que tudo bem dizer eu te amo (porque o amor não acabou) e sentir falta e manter alguém na minha vida de todas as maneiras possíveis, porque não foi deixar de gostar. nunca foi.

assim como nunca foi “alguém”. sempre foi você. e é difícil pensar num mundo em que não seja.

15.5.22

what would I do?

ainda é impossível pra mim pensar num futuro sem que a pergunta surja: será que você ainda se veria junto comigo outra vez?

 se cada uma voltou a ser um livro aberto, é a prova de que nada se quebrou — se perdeu, talvez, no meio do caminho, mas reencontrou o rumo. e será que esses pensamentos são fruto da minha luta pelos meus sentimentos, ou eu estou desrespeitando as suas decisões?

(eu me mantenho neutra o máximo que posso, mas ainda não consigo deixar de gostar de você da mesma forma que gostei no começo, no meio, no fim. só queria que não se perdesse essa conversa e abertura que vem tão natural e fácil pra gente. por que será que um mar de diálogo foi se tornando deserto? e o que a gente faz pra não acontecer de novo?)

 (“será que ter um diário online pra essas coisas do coração é muita humilhação?”, eu me pergunto. mas se o que me interessa é o registro do tempo e do que eu senti nele, o blog que sirva quando meu diário está longe demais)

12.5.22

heart skipped a beat - the xx

please don't say we're done when I'm not finished
I could give so much more
make you feel like never before
"welcome", they said
"welcome to the floor"

eu falei com você ontem e meu coração flutuou quando eu ouvi a sua voz

(mas ele ainda pesa quando eu penso em não segurar mais sua mão enquanto a gente anda na rua, ou não poder te dar um beijo assim que me der na telha, só pra mostrar que eu te amo)

11.5.22

viagem no tempo

eu sinto que você está com raiva de mim, e aí logo em seguida me pergunto: será que é raiva mesmo? será que você também tá sofrendo? eu não quero que você sofra, mas acho muito difícil qualquer uma de nós não sofrer.

(mesmo sendo eu que trouxe a decisão à tona, mesmo sendo eu a falar a maioria das palavras. uma decisão pode ser firme sem ser fácil, e definitivamente não foi fácil)

daí, no meio disso tudo, penso: será que eu sei identificar o que você tá sentindo? foram tantas vezes em que você se sentia de uma forma e eu interpretava de outra, que às vezes eu realmente não sei. queria que a gente tivesse conversado mais sobre tudo isso. queria que você visse seus sentimentos com a importância que eu os vejo — importância que me faz querer ouvir como você está se sentindo, por quê, e o que mais você quiser dizer.

em quase todo momento hoje eu queria viajar no tempo pra não tomar uma decisão logo de cara, porque eu sinto que ficou ainda mais difícil conversar. e seus sentimentos foram pra um lugar longe demais pra eu conseguir alcançar e entender.

 (você excluiu sua conta no telegram e por que tudo parece tão definitivo?)

(eu me sinto travada e tudo parece passar por mim. quase como se fosse luto. e eu não quero sentir luto.)

saber é diferente de querer

eu não quero que você vá embora da minha vida. eu sei que é preciso dar tempo ao tempo, mas só o que eu peço ao acaso todos os dias é que a gente não pare de se falar pra sempre. eu ainda quero te abraçar e saber como vai a sua vida e ouvir todas as coisas que passam pela sua cabeça. eu ainda quero poder dizer que você é fantástica e te fazer sentir da forma como você deve se sentir — bem sobre si mesma.

nem eu entendo muito bem causas e motivos, mas as coisas não estavam se encaixando e eu só queria que se encaixassem de novo. sem pressões, sem medos. eu ainda me lembro do dia em que você disse que queria ser minha amiga mesmo se o nosso relacionamento terminasse, e eu queria que você estivesse me perguntando isso agora.

eu quero ser sua amiga. eu sempre quis ser sua amiga, independente de qualquer outra coisa.

não ser sua amiga é ruim e é estranho e eu espero que não dure muito tempo. espero poder voltar a te fazer bem.

10.5.22

será

será que eu posso sentir sua falta se fui eu que decidi terminar? acho que eu sinto sua falta há muito tempo, e talvez agora ela se faça mais forte do que nunca. é engraçado (não é engraçado), porque eu não me sentia conectada há um bocado de tempo, e eu sinto falta justamente disso: me sentir conectada. a empolgação de contar ou compartilhar ou trazer alguma coisa e ficar tão feliz numa ligação que eu não queria mais desligar.

é difícil não me sentir culpada por sentir essa falta logo de cara. eu penso se devia ter tentado mais ou pensado mais ou só não ter decidido pelo que decidi, mas aí eu lembro que há tanto tempo eu sinto sua falta, mesmo você estando logo ali; a falta de algo mais do que só a presença. eu também não sei se cobro demais, se quero demais, se eu sou demais e transbordo pra fora do que a gente é — e eu digo o que a gente é porque eu espero que a gente não se torne passado. nossa amizade sempre foi minha coisa preferida, e a perspectiva de não te ter mais por perto é assustadora, não aliviante.

será que você também encara a nossa conversa? será que você também vai lendo as mensagens pra trás e tentando entender o que aconteceu? será que você sente falta de uma notificação minha como eu sinto da sua? será que você também sente vontade de mandar uma mensagem, mas se segura? será que você sente raiva de mim? eu espero que não, mas entendo se sim. eu queria poder te abraçar e queria explicar como meus sentimentos foram me encurralando e me prendendo numa teia de ansiedade e que eu não queria me sentir da forma como vinha me sentindo, mas também não queria perder você. será que você vai chegar aqui e ler isso tudo? será que você sabe que não foi, nem por um momento, a ausência de amor? será que você acredita que você não me puxa pra baixo?

será?

5.2.22

predestinação

por que é que às vezes basta tudo estar bem pra acontecer algo que me faz sentir mal?