15.5.22

what would I do?

ainda é impossível pra mim pensar num futuro sem que a pergunta surja: será que você ainda se veria junto comigo outra vez?

 se cada uma voltou a ser um livro aberto, é a prova de que nada se quebrou — se perdeu, talvez, no meio do caminho, mas reencontrou o rumo. e será que esses pensamentos são fruto da minha luta pelos meus sentimentos, ou eu estou desrespeitando as suas decisões?

(eu me mantenho neutra o máximo que posso, mas ainda não consigo deixar de gostar de você da mesma forma que gostei no começo, no meio, no fim. só queria que não se perdesse essa conversa e abertura que vem tão natural e fácil pra gente. por que será que um mar de diálogo foi se tornando deserto? e o que a gente faz pra não acontecer de novo?)

 (“será que ter um diário online pra essas coisas do coração é muita humilhação?”, eu me pergunto. mas se o que me interessa é o registro do tempo e do que eu senti nele, o blog que sirva quando meu diário está longe demais)

12.5.22

heart skipped a beat - the xx

please don't say we're done when I'm not finished
I could give so much more
make you feel like never before
"welcome", they said
"welcome to the floor"

eu falei com você ontem e meu coração flutuou quando eu ouvi a sua voz

(mas ele ainda pesa quando eu penso em não segurar mais sua mão enquanto a gente anda na rua, ou não poder te dar um beijo assim que me der na telha, só pra mostrar que eu te amo)

11.5.22

viagem no tempo

eu sinto que você está com raiva de mim, e aí logo em seguida me pergunto: será que é raiva mesmo? será que você também tá sofrendo? eu não quero que você sofra, mas acho muito difícil qualquer uma de nós não sofrer.

(mesmo sendo eu que trouxe a decisão à tona, mesmo sendo eu a falar a maioria das palavras. uma decisão pode ser firme sem ser fácil, e definitivamente não foi fácil)

daí, no meio disso tudo, penso: será que eu sei identificar o que você tá sentindo? foram tantas vezes em que você se sentia de uma forma e eu interpretava de outra, que às vezes eu realmente não sei. queria que a gente tivesse conversado mais sobre tudo isso. queria que você visse seus sentimentos com a importância que eu os vejo — importância que me faz querer ouvir como você está se sentindo, por quê, e o que mais você quiser dizer.

em quase todo momento hoje eu queria viajar no tempo pra não tomar uma decisão logo de cara, porque eu sinto que ficou ainda mais difícil conversar. e seus sentimentos foram pra um lugar longe demais pra eu conseguir alcançar e entender.

 (você excluiu sua conta no telegram e por que tudo parece tão definitivo?)

(eu me sinto travada e tudo parece passar por mim. quase como se fosse luto. e eu não quero sentir luto.)

saber é diferente de querer

eu não quero que você vá embora da minha vida. eu sei que é preciso dar tempo ao tempo, mas só o que eu peço ao acaso todos os dias é que a gente não pare de se falar pra sempre. eu ainda quero te abraçar e saber como vai a sua vida e ouvir todas as coisas que passam pela sua cabeça. eu ainda quero poder dizer que você é fantástica e te fazer sentir da forma como você deve se sentir — bem sobre si mesma.

nem eu entendo muito bem causas e motivos, mas as coisas não estavam se encaixando e eu só queria que se encaixassem de novo. sem pressões, sem medos. eu ainda me lembro do dia em que você disse que queria ser minha amiga mesmo se o nosso relacionamento terminasse, e eu queria que você estivesse me perguntando isso agora.

eu quero ser sua amiga. eu sempre quis ser sua amiga, independente de qualquer outra coisa.

não ser sua amiga é ruim e é estranho e eu espero que não dure muito tempo. espero poder voltar a te fazer bem.

10.5.22

será

será que eu posso sentir sua falta se fui eu que decidi terminar? acho que eu sinto sua falta há muito tempo, e talvez agora ela se faça mais forte do que nunca. é engraçado (não é engraçado), porque eu não me sentia conectada há um bocado de tempo, e eu sinto falta justamente disso: me sentir conectada. a empolgação de contar ou compartilhar ou trazer alguma coisa e ficar tão feliz numa ligação que eu não queria mais desligar.

é difícil não me sentir culpada por sentir essa falta logo de cara. eu penso se devia ter tentado mais ou pensado mais ou só não ter decidido pelo que decidi, mas aí eu lembro que há tanto tempo eu sinto sua falta, mesmo você estando logo ali; a falta de algo mais do que só a presença. eu também não sei se cobro demais, se quero demais, se eu sou demais e transbordo pra fora do que a gente é — e eu digo o que a gente é porque eu espero que a gente não se torne passado. nossa amizade sempre foi minha coisa preferida, e a perspectiva de não te ter mais por perto é assustadora, não aliviante.

será que você também encara a nossa conversa? será que você também vai lendo as mensagens pra trás e tentando entender o que aconteceu? será que você sente falta de uma notificação minha como eu sinto da sua? será que você também sente vontade de mandar uma mensagem, mas se segura? será que você sente raiva de mim? eu espero que não, mas entendo se sim. eu queria poder te abraçar e queria explicar como meus sentimentos foram me encurralando e me prendendo numa teia de ansiedade e que eu não queria me sentir da forma como vinha me sentindo, mas também não queria perder você. será que você vai chegar aqui e ler isso tudo? será que você sabe que não foi, nem por um momento, a ausência de amor? será que você acredita que você não me puxa pra baixo?

será?